A história da Bicicleta

Minha Bicicleta Julieta

“Me lembro como se fosse hoje, alguns anos antes de estourar a segunda grande guerra meu pai comprou minha primeira bicicleta, era uma Trimph Ingles, de segunda ou terceira mão. Quanta arte fiz com ela! Eu saía da Rua Dr. Agra – do lado do Cemitério do Catumbi e rodava da Lapa ao Maracanã, da Central a Santa Tereza, esse era meu domínio, eu tinha uns 12 anos e me via viajando pelo mundo”.

Dom Hélio passou a juventude trabalhando de bicicleta e a noite, num velho Ford 1941, rodava num carro de praça (hoje chamamos de taxi) contando histórias e conquistando pessoas pela noite do subúrbio carioca. Já no longínquo ano de 1953 conseguiu comprar a bicicleta dos sonhos de todo carioca, uma Inglesa de porte, uma ingles nobre assim como ele: uma original Philips 1949, feita com a mais pura tradição das indústrias britânicas que dominaram o ciclo do aço em função da tecnologia desenvolvida para vencer a guerra.

Aquela beleza de “máquina” foi uma companheira fiel até que Dom Hélio fizesse setenta e poucos anos. Cansada, com freios gastos foi gozar de merecido repouso, aposentada numa velha e empoeirada garagem no bairro do Estácio, na casa da sua irmã. Lá estava morando a “Julieta”, sem ninguém para admirar os seus encantos, suas retas firmes e suas curvas sinuosas.

O projeto da Barbearia Dom Hélio foi surgindo e as memórias do nosso herói nos foram brotando lentamente, afinal, foram décadas de “causos”. Localizamos a casa no bairro do Estácio e ele estava lá, a “Julieta com pneus costurados com linha preta” e pronta para voltar a vida e também homenagear Dom Hélio. Fixada para a eternidade no panteão de honra da Barbearia Dom Hélio, está a “Julieta”, bem tratada, bem cuidada, bem fixada com parafusos e... muita linha preta.