Quem foi Dom Hélio

Dom Hélio nasceu na primeira metade do século XX, não se sabe exatamente quanto, mas todos diziam que foi num velho casarão no bairro operário do Catumbi.

Lapa, passou a infância frequentando uma escola pública ao lado da Vila Mimosa. Sabia tudo da vida e contava em gotas a sua sabedoria. Para cada idade do ouvinte uma história de vida. Diferentes histórias vividas nos bares, cafés, sinucas, cassinos e boates do Rio antigo.
Todas histórias engraçadas, educativas e com final feliz.
Dom Hélio cresceu em meio a malandragem da Lapa antiga, trabalhador, esperto, o malandro do bem. Aquele cara sagaz, bem quisto, atencioso, carinhoso com os velhinhos e cheio de cuidados com as crianças. Nunca quis se dar bem, sempre quis fazer-se do bem. Mulato alto e forte, gostava de futebol e de contar causos em torno de uma cerveja gelada entremeada por “um quentinho” para equilibrar o som das palavras.

Dom Hélio tinha a postura de um Lorde elegante, sempre muito bem vestido. No inverno usava boina no estilo francês, poucos e ralos cabelos faziam-no frequentar uma barbearia tradicional costumeiramente. Ali ele ensinava o que é ser malandro-carioca-trabalhador, ali ele ensinava as primeiras sacanagens para que todos se divertissem, ali ele ensinava aos barbeiros o que é ser elegante, ali ele ensinava aos clientes a gostarem da boa aparência e do trato educado e viril.

Dom Hélio partiu! Assim como como todos... mas deixou muita saudade, uma história e centenas de admiradores.

Dom Hélio talvez fosse o avô que todos sonharam em ter. Construtor de novos adultos que sabem saborear a vida.

Dom Hélio virou homenagem a todos os homens clássicos e de classe do Rio de Janeiro, nessa barbearia bem carioca, bem-humorada, rústica e com a orientação divina de Dom Hélio.